Universidade UFPB PPGAU
Código SPPGAU5002 – T01 e SPPGAU5002 – T02
Professores Pablo DeSoto & Leticia Palazzi + Andrea Porto & Paulo Rossi (colaboradores)
Créditos/carga horária 4Cr/60h (Pos), 3Cr/45h (Graduaçao)
Semestre 2019.2
Datas/Horario 21 a 26 de Outubro, 16 a 22 h
Local Espaço Cultural
Online Classroom

EMENTA

Curso teórico-pratico de exploração, discussão e mapeamento dos bens comuns urbanos ou comum urbano (urban commons). Toma a forma principal de laboratório inter-disciplinar onde encontram-se para trabalhar juntos arquitetos, geógrafos, ativistas, artistas visuais, científicos sociais e estudantes de diferentes disciplinas. O curso propõe um método de laboratório, desenvolvido anteriormente em varias cidades do mundo e ganhador do Premio Elinor Ostrom por a Universidade de Buenos Aires, no qual o comum urbano é estudado, parametrizado e apresentado em formato visual e cartográfico. O laboratório abrange a grande João Pessoa como objeto de estudo para a produção de uma contra-cartografia em grande formato sobre seus bens comuns da área metropolitana, que possa contribuir como dispositivo publico nas discussoes e conflitos em andamento.

PROGRAMA

Estudo dirigido – 27 Agosto a 12 Outubro. Online.
Leitura e análise dos livros e artigos principais da bibliografia.

Aulas teóricas e Laboratório de cartografia. – 21 a 25 de Outubro. Espaço Cultural, 16 a 22h.
Aula 1: contra-cartografia. Aula 2: comum. Aula 3: cidade.

Intervençao urbana – 26 de Outubro. Corais de Seixas.

BIBLIOGRAFIA

DeSoto, P., Delinikolas, D., Dragona, D., Senel, A. and Pérez de Lama, J.P. 2015. Mapping the Urban Commons: a Parametrical and Audiovisual Method. V!RUS, 11.

Halder, S., e Kollektiv Orangotango, orgs. This Is Not an Atlas: A Global Collection of Counter-Cartographies. First edition. Social and Cultural Geography, Volume 26. Bielefeld: transcript, 2018.

Hardt, M., Negri, A. Bem Estar Común. 2016.

Harvey, D. Ciudades rebeldes. Del Derecho de la ciudad a revolución urbana. 2012

Resultados destacados

Durante os dias 21 a 26 de outubro do ano de 2019 realizou-se no espaço da FUNESC – Fundação Espaço Cultural José Lins do Rego – o curso “Mapeando o Comum Urbano de João Pessoa”, realizado e organizado pelo PPGAU (Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e pelo DGEOC (Departamento de Geociências) da Universidade Federal da Paraíba e com parceria do IESP (Instituto de Educação Superior da Paraíba).

Quatro principais bens comuns ameaçados da cidade de João Pessoa foram identificados e parametrizados no Curso: o Rio Gramame, que é a principal fonte de abastecimento de água da região metropolitana, se encontra poluído pelos agrotóxicos da agricultura e rejeitos industriais; o Rio Jaguaribe, que atravessa a cidade de sul a norte recebendo esgotos domésticos e resíduos depositados de modo irregular no sistema de drenagem da cidade; o Rio Sanhauá e o Porto do Capim, berço e patrimônio histórico da cidade, são alvos recentes da especulação imobiliária e do turismo predatório; e por fim, o sistema de falésias do Cabo Branco, que é margeado pelo terceiro maior recife de corais do mundo, e que vem sendo destruído pela supressão da mata atlântica e um sistema inadequado de drenagem.

O curso culminou em uma ação direta de cidadania que foi realizada durante a manhã do sábado 26 de Outubro nas “Piscinas Naturais de Corais da Praia do Seixas”, que situa-se no litoral sul e fica em frente à “Falésia do Cabo Branco” e ao Farol do Cabo Branco e à Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes.

A ação consistiu em uma simulação e performance ativa em que professores, estudantes e extensionistas vestiram-se de cientistas e pesquisadores que embarcaram em um catamarã turístico em total silêncio e com roupas específicas de proteção contra poluição e resíduos tóxicos. Outros estavam vestidos como seguranças e trajavam roupas pretas. Todo o percurso de barco foi marcado pela curiosidade dos turistas e pessoas em torno dos trajes e do grupo que destoava do sentido costumeiro de lazer. Os matérias utilizados além das roupas de proteção, foram fitas de isolamento de área nas cores amarelo e preta, luvas óculos, macacões e um megafone.

Ao ancorar o barco a tripulação de cientistas e seguranças desceram e seguiram em fila indiana e para isolar uma área de corais, em seguida foi feita um fala no megafone de alerta aos perigos e danos que vem acontecendo tanto aos corais e à falésia e a mata atlântica devido ao turismo predatório e às atuais e antigas políticas estimuladas, desenvolvidas ou ausentes no e pelo Estado em suas diversas esferas: Federal, Estadual e Municipal. Muitos turistas se interessaram em perguntar o porquê da ação, e o capitão da embarcação divulgou no microfone que a ação estava sendo desenvolvida por estudantes e professores preocupados com as condições ambientais já citadas. Divulgou-se a conta do Instagram do projeto e a plataforma digital.

Em seguida o grupo se dirigiu para a outra parte dos corais e novamente cercou uma determinada área. Teve-se acesso ao microfone da embarcação e pode-se divulgar qual era a intenção da ação, os riscos que o “bem comum” da cidade vem tendo, assim como todo o intuito de alerta radical e de ação educativa e criativa. Após isso houve a interação da equipe com os turistas e trabalhadores que se mostraram em parte interessados na causa. O projeto e suas plataformas digitais tiveram um alcance inesperado de mensagens. Ao retornar para a praia o grupo ainda se reuniu para um almoço e discutiu as futuras ações a serem realizadas dentro da mesma proposta teórica e metodológica da cartografia radical e crítica e da discussão sobre os bens comuns ameaçados na capital paraibana.

A equipe muito comprometida e multidisciplinar continua ativa e considera a ação como exitosa. A mobilidade urbana, a segregação sócio-espacial, a poluição e o desmatamento, assim como a verticalização da cidade são elementos que fazem parte dessa problematização sobre as cidades e seus bens comuns.

* Texto por Ricardo Bruno Cunha Campos (Cientista Social – Professor da SEECT – PB).

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